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Não sei se já alguém reparou nos novos outdoors da Nestlé relativos à campanha “Todos os dias, um bocadinho da Natureza”.

(um pequeno àparte: o ideal seria ter aqui uma fotografia do outdoor propriamente dito, mas já não fui a tempo de tirar uma fotografia ao que estava perto de minha casa… :( )

O que me chamou à atenção é que o que dantes era uma mistura de café, ou no caso mais extremo um simples substituto (cevada), passou a ser uma bebida de cereais. Uma bebida … de cereais! Uma bebida saudável, feminina, moderna mesmo.

O Mokambo, a Pensal e a Bolero sempre foram para mim uma alternativa pobrezinha ao café, uma bebida clássica que estaria sempre disponível no armário, junto à farinha Maizena, ou a uma caixa de pudim El Mandarim. Mas agora querem-nos vender o que é uma bebida clássica (para não dizer “de velho”) como uma bebida saudável.

Pelo que percebo, nada mudou em qualquer das bebidas – apenas a forma como é vendida. Eu sei que é publicidade, mas sinto-me um pouco enganado. Durante vários anos eu fui um consumidor fiel de Mokambo. Entretanto, passei a beber mais café, e em casa passei a usar também apenas café.Se calhar o rebranding que a Nestlé fez foi por causa de ingratos como eu…

Mas matou a nostalgia que ainda houvesse.

500 visitantes

Obrigado a quem cá veio pelo número redondo! :)

Leitura de Outubro

Mais um passo rumo ao objectivo de 12 livros em 12 meses.

Desta vez, um livro de um jovem autor português.

"Jerusalém" de Gonçalo M. Tavares

"Jerusalém" de Gonçalo M. Tavares

Ao ler as primeiras páginas estranha-se logo o facto de os nomes e os lugares serem num qualquer lugar que não Portugal – e o efeito ao fim das primeiras páginas é de um livro que podia ter sido escrito por um qualquer autor estrangeiro. Mas ao fim de mais algumas páginas trata-se evidente que a forma dada ao texto ou é de um tradutor extremamente inventivo ou de um português a escrever em Português. Resumindo a história do livro numa frase, trata-se de um livro sobre o sofrimento e a sanidade: o sofrimento que causamos e que nos causam, e o que é a sanidade. É um livro que não sendo “confortável” nos agarra à história, mesmo quando já sabemos como vai acabar.

Em conclusão: fiquei com curiosidade de ler os outros “livros negros” do mesmo autor. E isso só quer dizer que gostei.

Mais um livro para o rol de 12 livros que conto ler até ao final do ano:

"My Name is Red", Orhan Pamuk

É talvez o melhor livro que li este ano. É um policial, um romance histórico, uma história de amor, uma reflexão sobre o mundo muçulmano (e não árabe, que é algo bem diferente), um postal de Istanbul, e muito mais. As personagens são vivas, egoístas, meigas, fortes e fracas – são reais.

Resumindo num parágrafo, eu diria que o livro é sobre a luta constante entre tradição e modernidade, quando essa mesma tradição é emprestada de outros e portanto falsa, e a modernidade é tal que nunca passaremos de meros amadores nela.

No fundo, levanta de uma forma diferente a questão que já falei antes acerca dos músicos que cantam em inglês em Portugal: será preferível fazer o que está na crista da onda, mesmo falhando (vide o sotaque e as letras de alguns cantores portugueses), ou será preferível continuar a fazer o que se fazia antes, mesmo que isso por si só já fosse uma cópia?

Mas voltando ao livro. A narração sempre na 2a pessoa, mesmo que essa 2a pessoa esteja sempre a mudar, dá um ritmo vivo e envolvente ao livro. Poderá não parecer (afinal sempre foi mais de um mês  a ler o mesmo livro), mas este é daqueles livros que facilmente agarra o leitor, enquanto se procuram as voltas e enredos seguintes.

Não será o único livro que lerei deste autor, certamente.

O fim da escrita (à mão)

Um pouco por todo o lado, nos jornais e na blogosfera, aparecem vozes que anunciam o fim da escrita manuscrita como uma competência básica e possuída por todos.  De Umberto Eco no Guardian, passando por artigos no New York Times, e terminado em blogs de produtividade, todos clamam que as crianças de hoje, adultos de amanhã, não saberão compreender escrita manuscrita, e muito menos fazê-la.

O que me levou a pensar no meu próprio percurso enquanto “manuscritor” (até o firefox me diz que esta palavra não existe…). De acordo com um dos artigos, o pico da competência na escrita é atingido por volta dos 10 anos (4a classe em Portugal). Bate certo. Que a partir dessa idade, vai piorando, e que na sociedade actual, em que tudo é feito com computadores, deixa mesmo de ser necessária! Novamente, bate certo. E que ao escrever à mão, cada vez mais se usa letra de imprensa, por oposição ao que treinámos e aprendemos nos primeiros anos de escola. 100% de acerto!

Falando por mim, tenho de admitir que eu próprio estava a cair na espiral da “má escrita”. E só quando recomecei a utilizar uma caneta de aparo é que deixei de escrever quase exclusivamente em letra de imprensa.

Sejamos sinceros: por muito que nos esforcemos, é impossível ter uma letra interessante (e não vou dizer sequer bonita) se usarmos uma esferográfica foleira! E é isso que a maioria das pessoas usam. Mesmo canetas mais “técnicas” (com ponta em fibra, ou “rollers” de esfera fina) muito raramente fazem que o que escrevemos seja esteticamente interessante.

Lanço aqui um repto aos (poucos mas muito bons) leitores deste blog – experimentem usar por uma semana uma caneta de aparo e vejam se o prazer que têm de escrever numa folha em branco não aumenta. Num post anterior já dei conta da caneta que actualmente uso, e recomendo-a.

PS: Falando em escrever à mão, este artigo apresenta uma alternativa interessante para pegar na caneta.

Leitura de Agosto

Quando comecei a escrever este post (antes de ir de férias) estava realmente convencido que teria múltiplas partes – afinal as férias são normalmente vendidas como uma altura para colocar a leitura em dia… Infelizmente não é o caso, e o livro abaixo foi o único que conseguir acabar neste mês…

"As Pequenas Memórias" de José Saramago

(Nada como um livro pequeno e escrito em Português para aumentar a conta de livros lidos :) )

Não sendo um livro “grande”, e no fundo não foi por livros como este que o autor ganhou um Nobel, não deixa de ser um livro bastante apetitoso.

O facto de não contar propriamente uma história, mas sim ser uma colecção de pequenas anedotas (no sentido anglo-saxónico do termo) da juventude do autor faz com que o estilo fluído e livre do autor brilhe. Parece-me digno de nota a forma como retrata o exôdo das populações rurais para as cidades, num tempo em que se ia realmente para a cidade trabalhar e se ia para a cidade viver, não para o Cacém, Amadora, ou outro arredor claustrofóbico.

Não será o livro mais apropriado para conhecer o autor, mas para quem gostou das outras obras do autor, é recomendável.

Fotógrafo precisa-se…

Novo cartaz do PSD

A coerência é uma coisa bonita e com valor. Mas reutilizar a mesma fotografia de um mau cartaz de há uns meses atrás, quando essa fotografia já era uma má fotografia, não pode nunca ser uma boa ideia!

O meu repto: não há fotógrafos amadores, photoshopistas de fim de semana, gráficos de vão de escada que sejam apoiantes (já nem digo militantes, para não restringir a escolha) do PSD que se ofereçam para fazer um cartaz melhorzinho (e que já agora aproveite para dizer que o PowerPoint não é uma ferramenta para fazer cartazes…).

PS: a fotografia que uso para ilustrar este post também não é nenhum exemplo de profissionalismo fotográfico… mas foi o melhor que o meu telemóvel conseguiu enquanto estava parado num semáforo… :)

Consegui! Finalmente acabei de ler o “Moby Dick” – foi a minha leitura de Abril, Maio, Junho e Julho!

"Moby Dick" by H. Melville

"Moby Dick" by H. Melville

Se dúvidas houvessem, isto foi a prova que pertenço à categoria de leitores tipo “corredor de fundo”. Nunca desistindo, mas às vezes demorando muito tempo a acabar um livro.

E qual a razão para este tempo todo? É um livro grande? Sem dúvida. Tem uma história complicada? Nem por isso. É muito descritivo? Provavelmente não precisarei de ler outro livro sobre baleias nos próximos anos. É chato? Não será o mais adequado para ler antes de deitar (a não ser que sofram de insónias), mas não, não é chato.

Em suma: é um bom livro? Sem margem para dúvida! Mais que um bom livro, é um livro importante de se ler!

Um último comentário: só ao chegar aos derradeiros capítulos é que me apercebi que apesar do livro e da sua história serem bastante famosos, eu não sabia como acabava! Não haverá muitos clássicos que sejam assim.

Filosofia de rua…

Ontem foi um dia, hoje é outro dia, amanhã é outro dia, e cada dia é um dia…

(ouvido na rua perto do meu trabalho esta semana)

Os amigos de La Palisse não teriam dito melhor!

Das canetas de aparo…

Num post anterior lembrei o ditado popular que “caneta e mulher não se emprestam…”. Infelizmente tenho de juntar mais uma frase ao ditado… também não se deixam cair 2 andares… :P

O que me leva a perguntar: porque raio é que é tão difícil comprar um caneta de aparo em Lisboa?

(uma dica: a Arte Periférica no CCB é o sitio a ir no caso de estarem a precisar de substituir a vossa caneta acidentada por uma de custo controlado… Pelikan Script 1.0 por €13 :) )

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